segunda-feira, 10 de março de 2008

Delineando...

O ímpeto de viver é tão forte em mim que não consigo resistir a ele.
ANAïS NIN

Aquele cujo rosto não se ilumina, jamais há de ser uma estrela.
WILLIAM BLAKE

O poeta torna-se vidente por um longo, imenso e refletido desregramento de todos os sentidos... porque atinge o desconhecido.
RIMBAUD

Já reparou na inocência cruel das criancinhas com os seus olhares desconcertantes? Adivinham tudo, sabem que a vida é bela!
CAZUZA

É o amor, não a vida, o contrario da morte.
ROBERTO FREIRE –“ CLEO E DANIEL”

A vida não pode ser uma dor, uma humilhação de contínuos e burocratas idiotas. A vida deve ser uma vitória.
LIMA BARRETO

Eu sou o poeta do corpo e o poeta da alma.
WALT WHITMAN

A poesia e o amor são os dois olhos de Deus.
MACHADO DE ASSIS




A embriaguez das palavras


Embriagai-vos
É preciso estar sempre bêbado.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo,
que vos abate e vos faz pender para a terra,
é preciso que vos embriagueis sem cessar.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis. (...)
Baudelaire

Seguindo esses libertários preceitos do “maldito cavaleiro das tabernas”, o poeta Charles Baudelaire — que ao lado de Rimbaud, Mallarmé e Verlaine foi, sem dúvida, um dos maiores representantes do simbolismo francês — a escolha da minha embriagueis mais latente também foi (e continua sendo) a poesia. Evidentemente, sob a inspiração de garrafas e mais garrafas de cerveja e de vinho. Palavras versadas e prosadas no ritmo da fluidez totalista impulsionada pela transpiração e vivência múltipla do cotidiano.
Portanto, Letras Embriagadas é um brinde à vida. Uma exaltação às mais belas e loucas paixões humanas e ainda um auto-retrato produzido pela urgência sensitiva das palavras que nascem do meu vastíssimo “Eus”, apresentadas em quatro fases distintas, porém complementares: Canto Cortejante¹; Art Pop Zine²; O Cerveja³ e Zonna Zine4. Poéticas transfigurações de mim mesmo, pois nada do que sou é mais do que sinto e nem o que vivo vai além do meu desejo totalista.


1. Título de um livreto de poemas publicado em 1993 durante a Semana de Arte da Escola Técnica Federal de Petrolina (atual CEFET) e que serviu para divulgar, junto com o poeta Ângelo Roncalli, o “movimento totalista” / 2. Revista de artes lançada pelo poeta em 1995 com trabalhos de artistas de Juazeiro e Petrolina. / 3. Jornal cultural e festivo fundado em 1996 também pelo poeta. / 4. Coluna semanal de cultura publicada no jornal Diário da Região. Notas do editor.

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