segunda-feira, 10 de março de 2008

Teu Rosto


Quando vejo teu rosto
esqueço o rock n´roll e penso
em bossa nova, Farol da Barra
e pôr-do-sol no mar...
Quando canto teu rosto
me dá vontade…
sei lá o que dá vontade!
Nessa hora não sou
mais senhor dos meus atos.
Aumento o volume e deixo
João cantar por mim:
“Coisa mais bonita é você assim…”
Quando choro teu rosto
quero estar em ti, viver em ti
e ser por ti o que esperas
de um homem.
Ser teu, somente teu, completamente teu…
Quando leio teu rosto...
é como se estivesse vendo
a própria poesia.
Penso nos versos de
Vinícius, Neruda, Verlaine, Plath...
e mil vezes recito o teu nome:
Selma! Selma! Selma! Selma! (...)


A Beleza
para Carlitos


Não, não pensem que esse olhar
é de dor, tristeza ou raiva
também não estou sozinho
a solidão para mim não existe
pois eu tenho a beleza!
Portanto, afastem-se de mim
Não me venham com suas guerras
ou com os seus conflitos
matando de fome milhões de crianças
não me venham com o seu poderio bélico
ou com suas usinas nucleares
dizimando a vida em nosso planeta
a cada dia, a cada ano

Deixem-me em paz!
Com esse olhar de quem encontrou
a coisa mais preciosa da vida
com esse olhar que só consegue
enxergar, a beleza




Canto para um amor – II



Teu corpo é como o mais puro vinho
deixando ébrio o meu espírito de poeta
A luz que busco no infinito me é revelada
pela mágica transparência
da estrela que no teu peito brilha

Navego na tua tropicalidade
e sinto o aroma silvestre dos teus seios
Ó, mulher!
Como são quentes os teus lábios
Como arde o teu fogo.

Tens a sensual e apaixonante feminilidade cósmica
Em ti encontro os segredos do éden
e juntos saciamos os nossos loucos desejos
atingindo a paz vertiginosa

Lança-me na imensidão áurea do teu ser!

A alegria. A alegria de estar dentro de ti,
sendo o teu segredo revelado...
é isto, é isto que me faz feliz, o que me torna vivo
e que me faz homem!




Todo meu amor



Faço-te rosa diante dos meus olhos
e bebo do teu corpo o vinho mais suave

Dou-te um coração entrelaçado de amor
Tu, o meu anjo.
Anjo que guarda, compreendes?
Anjo de amor!

A canção diz “All My Love”. E eu? Bom, eu digo:
Todo meu amor é alegria.
É estar no cais olhando a lua com o teu
corpo todo molhado. Será do rio?
Ouvir Led Zeppelin, bater um papo ao som dos Smiths
e namorar de madrugada sob o delírio orgástico
da rainha do blues Dinah Washington.

Todo meu amor por ti
é como o sol que clareia nossas vidas e pinta o mundo de azul
Intenso como os girassóis de Van Gogh
Poesia Caetano - Rimbaud
Rock n’roll Barão – Cazuza
Coração poético libertário
de nós dois.
Afinal, sou eu. És tu.




Amor Nu



Eu e você nus
(nós dois)
encontraremos
o amor nu
(amor proibido)
inexistente neste mundo
vestido de hipocrisia

Só existirá o amor proibido
(amor nu)
em nós dois
pois estaremos nus
e o nu é proibido.




ROCK

O Rock
É uma homenagem
às forças libertadoras
da juventude,
que não se submete
ao sarcasmo
e acomodação
desta sociedade
selvagem.

E se a vida
começasse agora...
certamente seria
sob os acordes
de uma velha
guitarra fender.


Viva a Independência... da Língua


Língua que te quero beijo...

Beijo revolucionário da utópica língua-Caetano, soltando seu brado anárquico Sem lenço, Sem Documento nos anos ditatoriais da terra Brasilis. Esta que é, sem dúvida, uma das línguas mais poderosas deste país dos últimos tempos. Não esquecendo também a língua-Glauber com seu talento tempestuoso, criativo e genial, rompendo estruturas ortodoxas na poesia, no cinema ou na crítica Social.

Tivemos ainda todas as "línguas" psicodélicas que abriram as Portas da Percepção nos anos 60, como a dionisíaca língua-Jim Morrison, disparando música e orgias no pensamento reacionário e puritano do American Way of Life. Não esquecendo do Pesadelo no Ar-Condicionado da sexual língua-Henry Miller ou o Uivo alucinado (alucinógeno) da língua-Allen Ginsberg e a sua Marcha do Pentágono, levando várias outras "línguas" a enfrentarem tanques e fuzis com singelas flores e gritos libertários ao som da língua-tesão dos Rolling Stones e a sua (nossa) eterna Satisfação, (I can't Get No) Satisfaction.

Língua, língua, língua...

Língua-Cazuza revelando Segredos de Liquidificador nas orelhas dos amantes namorados ou cantando um blues piedoso pra salvar Essa gente Careta e Covarde e também as línguas das Legiões Urbanas a se perguntarem, afinal de contas, Que País é Este? Certamente não é o país independente que desde a nossa infância eles tentam nos fazer crer. Por isso é que não temos motivos pra nos orgulhar de uma coisa que não existe, mas que foi passada pra história de maneira deturpada e enganosa. Vamos comemorar o quê? A corrupção em massa? A fome de 32 milhões de pessoas e o extermínio de crianças e índios? Estes últimos que na verdade, são os verdadeiros donos desta terra, pois nela viviam de maneira harmoniosa antes de chegarem os nossos dominadores.

A verdadeira Independência terá que ser feita por nós, jovens de todo o planeta que anseiam por um mundo simplesmente mais humano e habitável, onde possamos viver em equilíbrio perdurável com o meio ambiente.

Este é o nosso poder, vamos soltar a Língua no Mundo.
Viva a Independência da Língua!


NATURAL


Perder a consciência
e molhar os pés no rio
ouvir a sagrada sinfonia
compor a glória da natureza
bailar com as copas
amar as pedras
ser um
e dobrar-se em mil.

(Ilha da Coroa – Curaçá/BA, em1994)



UMA ANTOLOGIA EM VERSO E PROSA

1993 - 2007



Luiz Hélio Alves de Oliveira


Edição
Art Pop Zine
Capítulo 1



O Canto Cortejante



Apresentando o canto...


Os poemas são jovens, selvagens...
São de um amor intenso e vivo. Românticos,
porém, atrevidos.
O poeta Luiz Hélio é sintético e lírico,
é também contemporâneo.
Ele busca o que tem de novo a poesia,
o que o faz poeta do futuro.

Sabendo que o futuro é o presente e o presente...
... ele busca vivê-lo com emoção, sugando toda inspiração,
mesmo nestes dias sufocantes e metálicos,
para então levá-lo à criação destes belos escritos.

Wellington Monteclaro, em 1993.
(poeta, bailarino, ator e diretor de teatro)











T E M P O

d e

D E R
RU
B
AR


M U R O S



Er gu e r
O
TOTA

LIS

mo


&

e x p a n d ir .


Totalismo poético

Percorrer o mistério
E lançar-se no imaginário
Eis o segredo.

E em cada descoberta desta aventura
sentir o todo
o orgone vital
que supre nosso corpo
e nos mantém vivos
liberando com todo
totalismo poético
nossas expressões, gestos
& olhares

Gente é belo!




Blue Jeans

Rasgarei teu blue jeans
e te sufocarei
com todo o meu delírio poético
depois te amarei com loucura
ao som de rock n´roll


Poema beat

Venha meu amor
vamos viver a liberdade
seremos dois beatniks
perdidos no tempo
pegaremos a mochila
e sairemos pelas infinitas estradas
declamando poemas
tomando um drink
e ouvindo Jazz.



Teu Ser



Teu
ser
seduz
meu
corpo
e
ilumina
minha
alma




Canto Cortejante


Liberdade para o meu corpo encontrar no teu
as pulsantes sensações que jorram
de nossas sublimes cerimônias
e festejantes delírios
nas mágicas canções
dos nossos seres amantes
da divina existência

Quero a ludicidade deflorando vida
em alegrias quase inatingíveis
contidas nos desdobramentos do universo
fazendo nossos espíritos
mergulharem na infinita imensidão
da essência cósmica
encontrada nos mares utópicos
de nossas mentes pós-modernas
& queres totalistas.

Encontraremos a paz!



Para os lúdicos...


Façamos nossos próprios caminhos
e que estes nos levem ao desconhecido,
ao inimaginável.

Buscando sempre a alegria.
Porque somos lúdicos!


Totalismo (prenúncio...)

A contemplação é a nossa maior obra.
Somos santos, anjos, ou tão somente bichos-do-mato?
Para onde iremos se não nos encontrarmos em nós mesmos?
É preciso invadir o íntimo para não se perder o elo de nossas paixões e assim podermos penetrar o que há de mais humano em nós... o amor!
Precisamos nos agrupar, nos movimentar e sair na noite (ou no dia) para fazer acontecer a nossa “festa”. As alegrias contidas em nossos corações ardentes de vida são a anunciação de que queremos viver, brincar e amar, verdadeira, natural e harmoniosamente, em comunhão perfeita com todos os seres viventes deste planeta; e não vivemos regidos pelas normas e padrões de um sistema que inibe a nossa beleza e nos oferece a “morte” para melhor nos dominar.

Nossa ideologia é a vida. Por isso a busca incessante de nos fazermos presentes neste tempo, é constante em nossos espíritos rebeldes e precursores de um novo homem e de um novo tempo. Este é o nosso tempo. Nós os protomutantes!

Nosso movimento será abertamente totalista. Não seremos (nem somos) vanguarda, esquerda e nem direita. Seremos o todo, a energia vital da natureza.

Afinal, somos libertários buscando a realização dos desejos para chegarmos ao Totalismo universal e...

Juazeiro/BA, 28 de outubro de 1993

Prefacílimo


Aroldo Ferreira Leão*


A VIDA É POR UM TRIZ, LUIZ HÉLIO É A FORÇA-MOTRIZ DE SEUS SONHOS. QUEM QUIS SER O QUE É, MOSTRA QUE SÓ É FELIZ QUEM MERGULHA NOS SEUS MISTÉRIOS E SE TRADUZ NO QUE LHE CONDIZ.

Luiz Hélio é um bom menino. Com ou sem lágrimas, o som de sua generosidade possui o tom das coisas mais plurais, a força dos ais que nos dissolvem nos vendavais dos espíritos gentis, abissais. A poesia nele é um dom maior, porta abrindo com porta em sua alma, calma que o exorta a ouvir os ecos dos becos e botecos do mundo.
O conheci no Sebo Rebuliço, em Petrolina, há exatos dez anos, cheio de planos e insanos sonhos, amigo de fulanos, beltranos e sicranos, lutando sempre pela arte, estandarte que traz em si até hoje. A idéia do Totalismo já existia, geléia englobando a pluralidade de todas as formas artísticas, panacéia envolvente, ceia de instintos fortificando a teia dos desejos na veia criadora de qualquer artista. A revista Art Pop Zine, lançada ainda neste mesmo ano, foi a testemunha de sua luta, árdua e pura, buscando concatenar o fazer artístico na região do Vale do São Francisco, risco que correu, mas valeu a pena, pois a serena comunhão de seus atos o gerou nos passos e compassos de suas ações, o modelou nos traços e espaços das mãos do tempo. A convivência com o poeta Maurício Ferreira o graduou na arte da sensibilidade e do silêncio, o tornou antenado com as nuances e avalanches da vida, o fortificou, o recriou nos lances e relances que o mundo nos oferece quando temos o coração aberto ao que é incerto, perto e longe de tudo, aperto que nos condiciona a estarmos na paz do cais que só existe em nós quando amamos demais. O menino segue amadurecendo, porém sabe, tenho certeza, que nunca estaremos completos no universo repletos de boas idéias e gentilezas.
Luiz Hélio nos mostra, de forma humana e singular, que toda conquista interior exige vocação e uma vontade sem fim de transpor barreiras e o gelo dos espíritos insensíveis, que não são poucos, que estão, por todos os lados, cruzando e esbarrando em nós, nas avenidas, praças e esquinas do mundo, como zumbis, vis e febris, sem escutarem a voz das sutilezas, sem sentirem a tensão do ocaso e do acaso que há nas entranhas de cada átomo que compõe as coisas do mundo. A poesia conhece a mesquinhez e a sordidez das criaturas, passeia por todos os lugares, leve e densa, ajudando o homem a encontrar-se, a vivenciar-se com mais precisão, a inteirar-se das surpresas e durezas do dia-a-dia, a modificar-se, principalmente, por dentro. Mas tudo leva muito tempo, tudo é muito demorado. A poesia é paciente. Os homens se matam, se enojam, se roubam. A poesia segue, clara e rara, como uma seara no espírito dos indivíduos que procuram enxergar, sem máscaras nem com atitudes avaras, a força da delicadeza no semblante errante de quem é só bondade e esperança, criança colhendo seus próprios sonhos no silêncio dos orvalhos das manhãs não vãs. Luiz Hélio é um frisson traquino.

* poeta, contista e músico, autor do livro “A Trilogia da Dor”, entre outros.

Delineando...

O ímpeto de viver é tão forte em mim que não consigo resistir a ele.
ANAïS NIN

Aquele cujo rosto não se ilumina, jamais há de ser uma estrela.
WILLIAM BLAKE

O poeta torna-se vidente por um longo, imenso e refletido desregramento de todos os sentidos... porque atinge o desconhecido.
RIMBAUD

Já reparou na inocência cruel das criancinhas com os seus olhares desconcertantes? Adivinham tudo, sabem que a vida é bela!
CAZUZA

É o amor, não a vida, o contrario da morte.
ROBERTO FREIRE –“ CLEO E DANIEL”

A vida não pode ser uma dor, uma humilhação de contínuos e burocratas idiotas. A vida deve ser uma vitória.
LIMA BARRETO

Eu sou o poeta do corpo e o poeta da alma.
WALT WHITMAN

A poesia e o amor são os dois olhos de Deus.
MACHADO DE ASSIS




A embriaguez das palavras


Embriagai-vos
É preciso estar sempre bêbado.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo,
que vos abate e vos faz pender para a terra,
é preciso que vos embriagueis sem cessar.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis. (...)
Baudelaire

Seguindo esses libertários preceitos do “maldito cavaleiro das tabernas”, o poeta Charles Baudelaire — que ao lado de Rimbaud, Mallarmé e Verlaine foi, sem dúvida, um dos maiores representantes do simbolismo francês — a escolha da minha embriagueis mais latente também foi (e continua sendo) a poesia. Evidentemente, sob a inspiração de garrafas e mais garrafas de cerveja e de vinho. Palavras versadas e prosadas no ritmo da fluidez totalista impulsionada pela transpiração e vivência múltipla do cotidiano.
Portanto, Letras Embriagadas é um brinde à vida. Uma exaltação às mais belas e loucas paixões humanas e ainda um auto-retrato produzido pela urgência sensitiva das palavras que nascem do meu vastíssimo “Eus”, apresentadas em quatro fases distintas, porém complementares: Canto Cortejante¹; Art Pop Zine²; O Cerveja³ e Zonna Zine4. Poéticas transfigurações de mim mesmo, pois nada do que sou é mais do que sinto e nem o que vivo vai além do meu desejo totalista.


1. Título de um livreto de poemas publicado em 1993 durante a Semana de Arte da Escola Técnica Federal de Petrolina (atual CEFET) e que serviu para divulgar, junto com o poeta Ângelo Roncalli, o “movimento totalista” / 2. Revista de artes lançada pelo poeta em 1995 com trabalhos de artistas de Juazeiro e Petrolina. / 3. Jornal cultural e festivo fundado em 1996 também pelo poeta. / 4. Coluna semanal de cultura publicada no jornal Diário da Região. Notas do editor.