Aroldo Ferreira Leão*
A VIDA É POR UM TRIZ, LUIZ HÉLIO É A FORÇA-MOTRIZ DE SEUS SONHOS. QUEM QUIS SER O QUE É, MOSTRA QUE SÓ É FELIZ QUEM MERGULHA NOS SEUS MISTÉRIOS E SE TRADUZ NO QUE LHE CONDIZ.
Luiz Hélio é um bom menino. Com ou sem lágrimas, o som de sua generosidade possui o tom das coisas mais plurais, a força dos ais que nos dissolvem nos vendavais dos espíritos gentis, abissais. A poesia nele é um dom maior, porta abrindo com porta em sua alma, calma que o exorta a ouvir os ecos dos becos e botecos do mundo.
O conheci no Sebo Rebuliço, em Petrolina, há exatos dez anos, cheio de planos e insanos sonhos, amigo de fulanos, beltranos e sicranos, lutando sempre pela arte, estandarte que traz em si até hoje. A idéia do Totalismo já existia, geléia englobando a pluralidade de todas as formas artísticas, panacéia envolvente, ceia de instintos fortificando a teia dos desejos na veia criadora de qualquer artista. A revista Art Pop Zine, lançada ainda neste mesmo ano, foi a testemunha de sua luta, árdua e pura, buscando concatenar o fazer artístico na região do Vale do São Francisco, risco que correu, mas valeu a pena, pois a serena comunhão de seus atos o gerou nos passos e compassos de suas ações, o modelou nos traços e espaços das mãos do tempo. A convivência com o poeta Maurício Ferreira o graduou na arte da sensibilidade e do silêncio, o tornou antenado com as nuances e avalanches da vida, o fortificou, o recriou nos lances e relances que o mundo nos oferece quando temos o coração aberto ao que é incerto, perto e longe de tudo, aperto que nos condiciona a estarmos na paz do cais que só existe em nós quando amamos demais. O menino segue amadurecendo, porém sabe, tenho certeza, que nunca estaremos completos no universo repletos de boas idéias e gentilezas.
Luiz Hélio nos mostra, de forma humana e singular, que toda conquista interior exige vocação e uma vontade sem fim de transpor barreiras e o gelo dos espíritos insensíveis, que não são poucos, que estão, por todos os lados, cruzando e esbarrando em nós, nas avenidas, praças e esquinas do mundo, como zumbis, vis e febris, sem escutarem a voz das sutilezas, sem sentirem a tensão do ocaso e do acaso que há nas entranhas de cada átomo que compõe as coisas do mundo. A poesia conhece a mesquinhez e a sordidez das criaturas, passeia por todos os lugares, leve e densa, ajudando o homem a encontrar-se, a vivenciar-se com mais precisão, a inteirar-se das surpresas e durezas do dia-a-dia, a modificar-se, principalmente, por dentro. Mas tudo leva muito tempo, tudo é muito demorado. A poesia é paciente. Os homens se matam, se enojam, se roubam. A poesia segue, clara e rara, como uma seara no espírito dos indivíduos que procuram enxergar, sem máscaras nem com atitudes avaras, a força da delicadeza no semblante errante de quem é só bondade e esperança, criança colhendo seus próprios sonhos no silêncio dos orvalhos das manhãs não vãs. Luiz Hélio é um frisson traquino.
* poeta, contista e músico, autor do livro “A Trilogia da Dor”, entre outros.
* poeta, contista e músico, autor do livro “A Trilogia da Dor”, entre outros.

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